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Retrato em preto e branco de uma figura de capuz nas sombras
Indústria

A indústria AV do Japão: por que o pornô japonês é censurado e a lei de 2022 que protege as atrizes

O Japão tem uma das maiores indústrias de vídeo adulto do mundo e um dos regulamentos mais estranhos. De um lado, genitais pixelados. Do outro, algumas das proteções mais fortes do planeta para quem atua.

Maximo GarciaPor Maximo Garcia
· 7 min de leitura

Neste guia

  • Por que o Japão é diferente
  • O artigo 175 e o mosaico
  • O escândalo de coerção
  • A lei de 2022: os prazos de espera
  • O direito de cancelar depois do lançamento
  • O que a indústria disse
  • Mosaico, pirataria e IA
  • O que outros países podem aprender
  • Minha opinião

Eu não sou advogado. Isto é informação geral sobre a lei japonesa, não orientação jurídica. Os dados vêm da tradução oficial da lei para o inglês, do governo do Japão e da imprensa. As opiniões são minhas.

Quando alguém de fora do Japão assiste a um vídeo adulto japonês pela primeira vez, a primeira pergunta é sempre a mesma: “Por que está tudo pixelado?” A segunda pergunta, de quem conhece a indústria, é mais interessante: “É verdade que no Japão a atriz pode cancelar um vídeo depois que ele sai?”

As duas coisas são verdade. E juntas dizem muito sobre como cada país pensa o pornô, a vergonha e o consentimento. Depois de 14 anos na indústria ocidental, o sistema japonês me fascina, em parte porque erra feio em algumas coisas e acerta mais do que quase todo mundo em outras.

Por que o Japão é diferente

A indústria japonesa de vídeo adulto, normalmente chamada de AV, é uma das maiores do mundo, com estúdios, agências, estrelas e cultura de fãs próprios. Muitas atrizes AV japonesas são famosas fora do mundo adulto e aparecem em revistas, televisão e redes sociais.

Mas ela funciona com regras que não existem nos Estados Unidos nem na Europa.

O artigo 175 e o mosaico

O mosaico vem do artigo 175 do Código Penal japonês, que torna crime distribuir ou exibir publicamente documentos, desenhos e outros objetos obscenos. A lei não define o que é “obsceno”. Na prática, os tribunais e a polícia do Japão tratam há muito tempo os genitais visíveis como obscenos, e a indústria encontrou uma solução: borrar ou pixelar.

Por isso os estúdios japoneses lançam o conteúdo com um mosaico sobre os genitais, enquanto a ação em si pode ser bem explícita. É um meio-termo estranho: a lei não impede o sexo, só impede ver certas partes do corpo.

Órgãos de revisão da própria indústria conferem os vídeos antes do lançamento para garantir que a censura segue os padrões aceitos. Com o tempo, os mosaicos ficaram menores e mais finos, mas não sumiram do conteúdo vendido legalmente no país.

O Japão nunca proibiu o pornô. Proibiu mostrar os detalhes. É um meio-termo muito japonês.

O escândalo de coerção

Durante anos, ativistas e advogados japoneses alertaram para um lado mais sombrio da indústria: moças jovens recrutadas na rua como “modelos” ou “talentos”, assinando contratos que não entendiam e depois sendo pressionadas a gravar vídeos adultos sob ameaça de multas enormes.

Em 2016, a ONG de Tóquio Human Rights Now publicou um relatório sobre participações forçadas em vídeos adultos, e o assunto virou notícia nacional. A indústria reagiu em 2017 criando um órgão de ética e novas regras, entre elas um procedimento para que atores e atrizes pudessem pedir que títulos antigos deixassem de ser vendidos.

Depois veio outro gatilho. Em abril de 2022, o Japão reduziu a maioridade de 20 para 18 anos. Pelas regras antigas, jovens de 18 e 19 anos podiam anular contratos assinados sem consentimento dos pais. Com a mudança, essa proteção sumiu, e os legisladores temeram que os jovens virassem alvos mais fáceis. A Dieta agiu rápido.

A lei de 2022: os prazos de espera

Em 15 de junho de 2022, a Dieta aprovou uma lei com um nome oficial enorme, normalmente resumida como lei de proteção a atores e atrizes AV. Ela entrou em vigor em 23 de junho de 2022 (Japanese Law Translation; Asahi Shimbun).

Ela vale para todos, independentemente de idade ou gênero. Os pontos principais:

  • Contratos por escrito explicando exatamente o que a pessoa vai fazer, e o produtor precisa explicar.
  • Um mês entre a pessoa receber os documentos do contrato e a gravação.
  • Quatro meses entre o fim da gravação e o lançamento.
  • É possível recusar atos sexuais específicos mesmo depois de assinar, sem pagar multa.
  • Cláusulas que obrigam a pagar indenização por cancelar são restringidas.

Esses prazos existem para dar tempo de pensar, conversar com família ou amigos e mudar de ideia antes que algo seja gravado ou lançado.

Foto em preto e branco de bastidores com uma mulher de roupão e dois homens de toalha

O direito de cancelar depois do lançamento

A parte mais radical da lei é esta: a pessoa pode rescindir o contrato sem nenhuma condição por até um ano depois da publicação do vídeo e exigir que a venda e a distribuição parem. Para contratos feitos nos dois primeiros anos da lei, o prazo era de dois anos (Escritório de Igualdade de Gênero do Gabinete).

Não precisa dar motivo. Não pode haver multa. O produtor precisa interromper a distribuição e, quando possível, tirar o vídeo das plataformas de venda.

Pense em como isso é incomum. Em quase toda a indústria ocidental, depois que você assina o termo de cessão e a cena é gravada, ela pertence ao estúdio para sempre. No meu guia sobre consentimento num set pornô, expliquei que o consentimento pode ser retirado durante a gravação. O Japão vai além: ele pode ser retirado depois do lançamento.

O que a indústria disse

A reação dentro da indústria japonesa foi mista. Muita gente apoiou o objetivo de acabar com a coerção. Mas alguns atores, atrizes e produtores reclamaram que os prazos, principalmente os quatro meses antes do lançamento, dificultavam trabalhar e receber, e empurravam algumas produções para canais menores ou clandestinos. Algumas atrizes disseram publicamente que nunca foram forçadas a nada e que a lei tratava todas como vítimas.

Os legisladores incluíram uma cláusula de revisão, e o debate sobre ajustar os prazos continua. Os dois lados concordam numa coisa: o velho sistema de ameaçar quem atua com multas tinha que acabar.

Mosaico, pirataria e IA

O mosaico cria os próprios problemas. Como vender versões sem censura é ilegal no país, existe todo um mercado paralelo de conteúdo vazado e “sem censura” no exterior, principalmente em sites piratas. Escrevi sobre como os sites tube e a pirataria prejudicam quem atua.

A tecnologia piorou tudo. A polícia japonesa já prendeu pessoas por vender vídeos em que o mosaico tinha sido removido com IA, segundo notícias de 2021. Isso se liga a um problema maior que tratei em IA, deepfakes e atores pornô: atores e atrizes perdendo o controle da própria imagem.

E o direito de cancelar só funciona nas plataformas legais. Depois que um vídeo é pirateado, nenhuma lei consegue recolher tudo de volta.

O que outros países podem aprender

Eu não acho que o mosaico faça sentido. Adultos deveriam poder ver conteúdo adulto sem pixel, e a regra de obscenidade cria mais pirataria do que moralidade.

Mas a lei de proteção traz ideias que toda indústria deveria estudar:

  • Um período de reflexão antes de gravar. Ninguém deveria assinar um contrato e gravar no mesmo dia sob pressão.
  • Uma lista clara de atos no contrato, com direito de dizer não.
  • Nenhuma multa por recusar. Ameaçar com dívida é coerção.
  • Uma saída depois do lançamento, pelo menos por um tempo limitado.

Algumas dessas coisas já existem informalmente nos bons sets ocidentais. O Japão transformou em lei.

Minha opinião

Quando comecei nesta indústria, vi quanto poder produtores e agentes podem ter sobre uma atriz jovem que precisa de dinheiro e não conhece os próprios direitos. A maioria das pessoas com quem trabalhei é profissional e respeitosa. Mas o sistema só funciona se quem atua tiver poder real de dizer não.

A lei japonesa dá esse poder de um jeito que eu não vi em nenhum outro lugar. É perfeita? Não. Os prazos podem prejudicar quem quer trabalhar, e a lei não consegue parar a pirataria. Mas eu prefiro uma indústria freada por regras de consentimento do que acelerada pela pressão.

Quanto ao mosaico, espero que um dia o Japão trate o seu público adulto como adulto. Até lá, quem atua lá merece reconhecimento por trabalhar dentro de um dos sistemas legais mais estranhos do mundo e por empurrar o país a protegê-los melhor.

Para as histórias humanas por trás desta indústria, leia minhas colunas na Casa do Maximo. Acompanhe meu trabalho em maximogarciaworld.com, e para o lado +18, fuckingpornstars.net.

Fontes

  1. Japanese Law Translation (Ministério da Justiça do Japão). Act Establishing Special Provisions on Performance Agreements That Are Meant to Help Prevent the Harm Associated with Performing in Sexually Explicit Videos.
  2. Gabinete do Japão, Escritório de Igualdade de Gênero. Sobre a lei de prevenção e reparação de danos a atores e atrizes AV (em japonês).
  3. The Asahi Shimbun. New law gives adult film stars the right to end their contracts.
  4. Japanese Law Translation. Código Penal (Lei n.º 45 de 1907), artigo 175.

Perguntas frequentes

Por que o pornô japonês é censurado com mosaico?

O artigo 175 do Código Penal do Japão torna crime distribuir material obsceno, e os tribunais e promotores japoneses tratam há décadas os genitais visíveis como obscenos. Para ficar dentro da lei, os produtores japoneses borram ou pixelam os genitais com um mosaico.

O que é a lei AV do Japão de 2022?

É a lei para prevenir e reparar danos a atores e atrizes de vídeos adultos, aprovada pela Dieta em 15 de junho de 2022 e em vigor desde 23 de junho de 2022. Ela cria prazos de espera antes da gravação e do lançamento, permite recusar atos específicos e autoriza cancelar o contrato e interromper a distribuição.

Uma atriz AV japonesa pode cancelar um vídeo já lançado?

Sim. Pela lei de 2022, quem atua pode rescindir o contrato sem condições por até um ano depois da publicação do vídeo e exigir que a venda e a distribuição parem. Para contratos assinados nos dois primeiros anos da lei, o prazo era de dois anos.

Quanto tempo os produtores japoneses precisam esperar para gravar e lançar?

A lei exige pelo menos um mês entre a entrega dos documentos do contrato e a gravação, e pelo menos quatro meses entre o fim da gravação e o lançamento, para que a pessoa tenha tempo de repensar.

Por que o Japão aprovou a lei de proteção AV?

Ela veio depois de anos de denúncias de pessoas pressionadas ou enganadas para aparecer em vídeos adultos, e da redução da maioridade de 20 para 18 anos em abril de 2022, que acabou com uma regra que permitia a jovens de 18 e 19 anos anular contratos assinados sem autorização dos pais.

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Este guia é seguro para o trabalho. O lado explícito, as cenas completas com as atrizes sobre quem eu escrevo, está no meu site de membros. Só maiores de 18.

Maximo Garcia
Sobre o autor

Maximo Garcia

Ator pornô, autor e o rosto por trás do maximogarciaworld.com.

Escrevo estes guias a partir do que vivi nos sets e das fontes em que confio: NHS, Mayo Clinic, estudos revisados por pares e documentos públicos. Quando dou opinião, eu aviso.

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