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Maximo Garcia e outro homem de camisa preta sentados para uma conversa gravada, em preto e branco
OnlyFans

Chatters e agências do OnlyFans: quem responde de verdade às mensagens?

A promessa do OnlyFans é uma conexão pessoal. A realidade, em muitas contas grandes, é uma equipe de desconhecidos digitando em nome da criadora. Aqui está o que já foi publicado sobre chatters e agências, e o que eu acho que criadoras e fãs deveriam saber.

Maximo GarciaPor Maximo Garcia
· 8 min de leitura

Neste guia

  • A promessa e o problema
  • O que a Reuters descobriu
  • O que a WIRED viu por dentro
  • A ação coletiva de 2024
  • Chegam os bots
  • O que uma agência faz de verdade
  • O custo real para as criadoras
  • O risco de que ninguém fala: sua conta e seus dados
  • Perguntas antes de assinar
  • O que os fãs deveriam saber
  • Minha opinião

O OnlyFans vende algo muito simples: você paga e fica mais perto da pessoa de quem gosta. O próprio marketing da plataforma fala de relações autênticas entre criadoras e fãs. A mensagem privada é o coração dessa promessa, e é onde se ganha a maior parte do dinheiro: gorjetas, mensagens pagas e conteúdo pago por visualização enviado no privado.

Mas há algo que jornalistas sérios documentaram em detalhe: em muitas contas grandes, quem responde a essas mensagens não é a criadora. É um “chatter”, um prestador de serviço pago para escrever em nome dela. Trabalho há anos na indústria adulta e quero explicar isso com calma, usando só o que já foi publicado, porque importa tanto para as criadoras que pensam em assinar com uma agência quanto para os fãs que acreditam estar falando com uma pessoa real.

O que a Reuters descobriu

Em julho de 2024, a Reuters publicou uma longa investigação chamada “OnlyFans’ porn juggernaut fueled by a deception” (o gigante pornô do OnlyFans, movido por um engano) (Reuters). A conclusão central foi que muitas criadoras populares do OnlyFans, incluindo estrelas pornô que ganham milhões no site, terceirizam a tarefa de escrever aos assinantes para impostores pagos. O trabalho deles, escreveu a Reuters, é convencer os assinantes a dar gorjetas e comprar mais conteúdo.

A Reuters descreveu os chatters como pessoas sem vínculo formal com o OnlyFans, mas como peça essencial de como muitas das maiores contas ganham dinheiro. Também contou que alguns assinantes que descobriram a prática disseram que aquilo era fraude. A existência dos chatters já tinha sido mencionada antes, muitas vezes como curiosidade. O que a investigação trouxe foi a escala e o detalhe: roteiros, táticas de venda e toda uma indústria de agências construída em torno desse modelo.

A mensagem privada é onde está o dinheiro. É exatamente por isso que tantas contas a entregam a outra pessoa.

O que a WIRED viu por dentro

A WIRED publicou um relato em primeira pessoa de um jornalista que se infiltrou como chatter do OnlyFans (WIRED). O texto descreve uma criadora que havia contratado uma agência para dar conta da demanda de atenção pessoal dos assinantes, e que contou ao repórter que os “especialistas em chat” fornecidos pela agência eram uma parte enorme do acordo. A agência oferecia uma equipe cuja única função era se passar pela criadora nas mensagens privadas.

O título diz tudo: “Não foi bonito”. Se você é criadora e está pensando numa agência, recomendo ler o texto inteiro, porque ele mostra o trabalho pelo lado que quase ninguém vê.

A ação coletiva de 2024

Em 1º de agosto de 2024, foi noticiada uma proposta de ação coletiva contra a dona do OnlyFans e várias agências: N.Z. et al. contra Fenix International Limited et al. (ClassAction.org; Hagens Berman). Entre os réus estão Fenix International Limited, Fenix Internet LLC e agências como Moxy Management, Behave Agency, A.S.H. Agency, Content X, Verge Agency e Elite Creators.

Segundo a petição de 127 páginas, como resumida pelo ClassAction.org:

  • Os fãs pagam para se comunicar pessoalmente com as criadoras, mas na verdade falam com “frotas de chatters” colocadas pelas agências.
  • Os chatters seriam treinados para “explorar vínculos emocionais” e seguir roteiros feitos para identificar os fãs mais envolvidos emocionalmente e fazê-los gastar mais.
  • Segundo a ação, os chatters nunca revelam que não são a criadora e confirmam a farsa quando questionados.
  • A ação também alega violações de privacidade, porque mensagens, fotos e vídeos íntimos dos fãs ficam acessíveis a muitas pessoas não autorizadas.
  • E alega que o OnlyFans sabia da prática, que ela viola as regras da própria plataforma e que a empresa lucra com sua comissão de 20%.

Quero ser cuidadoso. São alegações de um processo, não conclusões de um tribunal. Não estou dizendo que alguma agência ou criadora citada fez algo ilegal. Mas a ação é pública e descreve o modelo de negócio com clareza suficiente para que toda criadora entenda o risco jurídico.

Chegam os bots

No mesmo mês, a Reuters publicou uma segunda reportagem: “AI bots talk dirty so OnlyFans stars don’t have to” (bots de IA falam safadeza para que as estrelas do OnlyFans não precisem) (Reuters). Ela contava que algumas agências que gerenciam artistas do OnlyFans diziam usar software de IA para escrever aos assinantes, dispensando ou reduzindo ao mínimo os chatters humanos. A Reuters citou o site de uma agência americana que dizia que seu chatbot criava “conexões autênticas”. Segundo a Reuters, esse software é vendido abertamente às agências, mas não é revelado aos assinantes.

É uma questão diferente da das criadoras de IA. Como expliquei na minha comparação entre OnlyFans, Fansly e Fanvue, os termos do Fansly proíbem sistemas de IA que interagem com usuários sem supervisão humana, enquanto a Fanvue permite contas de IA desde que estejam claramente identificadas. A pergunta é sempre a mesma: o fã sabe pelo que está pagando?

Maximo Garcia sentado na borda de uma piscina, de sunga azul, com palmeiras atrás

O que uma agência faz de verdade

Para ser justo, nem tudo o que uma agência faz é conversar. Pelo que foi descrito publicamente, elas costumam oferecer uma mistura de:

  • Marketing: fazer crescer as redes sociais da criadora e levar tráfego para a página paga.
  • Planejamento de conteúdo: o que gravar, quando postar, que preço dar ao conteúdo pago.
  • Gestão da conta: agendamento, mensagens em massa, promoções.
  • Mensagens: os chatters, muitas vezes em turnos para que a conta responda a qualquer hora.

Algumas criadoras precisam mesmo de ajuda. Cuidar de uma conta movimentada é um trabalho de tempo integral, e muitas artistas são melhores criando conteúdo do que vendendo. A questão não é se a ajuda pode ser legítima, porque pode. É se essa ajuda envolve enganar quem paga você, e se o acordo é justo com você.

O custo real para as criadoras

Como expliquei em como funciona o OnlyFans, a plataforma fica com 20% de cada pagamento. A comissão de uma agência vem por cima, tirada dos seus 80%. Não existe tarifa pública padrão e as porcentagens variam muito, então não vou citar um número que não posso comprovar com fonte. O que posso mostrar é a conta: se uma agência leva uma parte grande dos seus 80%, você pode acabar ficando com bem menos da metade do que os fãs pagaram.

Veja também os números oficiais. No ano fiscal de 2025, o OnlyFans pagou US$ 6,3 bilhões a 2,5 milhões de contas de criadoras ativas, segundo a Variety. Isso dá cerca de US$ 2.500 por criadora ativa por ano, em média, e a mediana certamente é menor, porque um pequeno número de contas fica com a maior parte do dinheiro. Analiso isso em OnlyFans em números. Uma agência que promete multiplicar sua renda está vendendo um futuro que, estatisticamente, a maioria das criadoras não tem.

O risco de que ninguém fala: sua conta e seus dados

Quando uma agência cuida das suas mensagens, outras pessoas têm acesso à sua conta, às mensagens privadas dos seus fãs e muitas vezes ao seu conteúdo ainda não publicado. Isso cria três riscos:

  1. Responsabilidade. Tudo o que sai da sua conta sai em seu nome. Se um chatter faz promessas, quebra regras da plataforma ou trata mal um fã, quem sofre é a sua conta e a sua reputação.
  2. Privacidade. A ação coletiva alega justamente quebra de confidencialidade envolvendo mensagens íntimas de fãs. Seus próprios dados privados também ficam expostos.
  3. Controle. Se você rompe com uma agência que tem suas senhas, seu conteúdo e sua relação com os fãs, sair pode ser difícil. Explico como se proteger no meu guia de privacidade e segurança para criadoras.

Perguntas antes de assinar

Se você está pensando numa agência, faça estas perguntas e exija todas as respostas por escrito:

  • Qual é a porcentagem exata que vocês ficam, e sobre o quê? Bruto ou líquido? Inclui gorjetas e mensagens?
  • Quem vai escrever aos meus fãs, e eu aprovo o que é dito?
  • Vocês vão usar IA para falar com os fãs? Se sim, isso é informado?
  • Quem fica com a senha e a verificação em duas etapas? Deveria ser você.
  • De quem são o conteúdo e a lista de fãs se a parceria acabar?
  • Como eu saio, com quanto aviso prévio, e há multa?
  • Posso conversar com clientes atuais e antigas?

Uma agência séria vai responder sem problema. Se pressionarem você, prometerem renda garantida ou pedirem suas senhas no primeiro dia, vá embora. E peça a um advogado que revise qualquer contrato antes de assinar.

O que os fãs deveriam saber

Se você é fã, não estou dizendo para parar de apoiar as criadoras. Estou dizendo para ser realista. Numa conta muito grande, é improvável que a pessoa por trás consiga responder pessoalmente a milhares de mensagens por dia. Gaste o que você pode, não compartilhe nada que não queira que desconhecidos leiam e não confunda uma conversa de venda com um relacionamento. As criadoras que eu respeito são honestas com o público sobre como trabalham.

Minha opinião

Eu ganho a vida nesta indústria e acredito que o trabalho adulto deve ser um trabalho honesto. Pagar alguém para ajudar a postar, editar ou divulgar é negócio normal. Pagar alguém para fingir ser você e fazer pessoas solitárias gastarem mais é outra coisa, e as reportagens e o processo mostram por que isso é um risco para todos: para os fãs, para as criadoras e para a plataforma.

Meu conselho a qualquer criadora é simples: mantenha o controle da sua conta, mantenha real a sua relação com os fãs e, se usar ajuda, seja transparente. Seu nome é o único bem que realmente é seu. Não o alugue barato. Para saber mais sobre como as profissionais mais espertas pensam a carreira além de uma única plataforma, leia meus textos sobre estrelas pornô na Casa do Maximo.

Para acompanhar meu trabalho, visite maximogarciaworld.com, e para o lado +18, fuckingpornstars.net.

Este artigo resume jornalismo e documentos judiciais publicados no momento em que foi escrito. O que diz um processo são alegações, não fatos comprovados. Informação geral, não é aconselhamento jurídico nem financeiro.

Fontes

  1. Reuters. OnlyFans’ porn juggernaut fueled by a deception. Julho de 2024.
  2. Reuters. AI bots talk dirty so OnlyFans stars don’t have to. 30 de julho de 2024.
  3. WIRED. I Went Undercover as a Secret OnlyFans Chatter. It Wasn’t Pretty.
  4. Corrado Rizzi, ClassAction.org. OnlyFans Lawsuit Alleges Subscribers Unknowingly Talk with Paid ‘Chatters,’ Not Actual Content Creators. 1º de agosto de 2024.
  5. Hagens Berman. OnlyFans Chatters Class Action.
  6. Todd Spangler, Variety. OnlyFans Millionaires: Site Says 5,076 Creators Have Earned More Than $1 Million to Date. 25 de agosto de 2026.
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Este guia é seguro para o trabalho. O lado explícito, as cenas completas com as atrizes sobre quem eu escrevo, está no meu site de membros. Só maiores de 18.

Maximo Garcia
Sobre o autor

Maximo Garcia

Ator pornô, autor e o rosto por trás do maximogarciaworld.com.

Escrevo estes guias a partir do que vivi nos sets e das fontes em que confio: NHS, Mayo Clinic, estudos revisados por pares e documentos públicos. Quando dou opinião, eu aviso.

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